(des)encontro

Você se desdobra, mas estou assombrada
Pelo fantasma que acorda a qualquer movimento
O medo de cair que já me carrega derrubada
Como se em constante tormento

Porque só notei a altura, diante da queda
E me vi sem forças para lidar com as sobras
Juntar todos os cacos, me retirar da jogada
E parar de ceder a todas as manobras

Porque o olho que ria, de repente doía
Os espaços começaram a me esmagar
Tua presença já não me acolhia
Desejei não ver, ouvir e lembrar

Sinto tanta dor quando começo a lembrar
Que deságuo e desando
Simplesmente não consigo segurar
O que continua me cercando

Mas toda vez que encontro seu olhar
Só sei sorrir
Como se num constante brincar
Como se incapaz de me ferir

Mergulho no seu corpo que transborda alma
Desejo me perder e demorar
Na presença que acalma
Na beleza de cada pulsar

Você no meu caminho
Expandindo meu coração
A conversa, o carinho
A bebedeira e o apagão

Te chamo de criança
Embora isso me encante
Quero te livrar da ansiedade
Embora isso não me espante

Longe ou no silêncio, sinto um novo corte
E temo não suportar
Mas pode ser-ou não que você conserte
E finalmente eu consiga respirar

Quando me questiona sobre a razão de tamanho gostar
Não dou conta de responder
Sei que sempre quis dividir, contar, estar
E nunca dei conta de esquecer.








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