destampamento
Quando o portão se fecha
meu peito é ferida aberta
que absorve o ar sujo da existência
e golpes que não enxerga
sempre que se vê em alerta
sempre que lida com a ausência
Afetada, dilacerada
perdida em tanta e tamanha sujeição
“você só não pode se sentir mal!”
e então, banco a destruição
pago para cair do pedestal
Sinto-me sugada, como se desacordada
não me agrada o lugar de oportunidade
a casa e a alma acessíveis
toda obscuridade
e meus gritos de socorro inaudíveis
Perco-me em meus espaços
no desejo e no temor
cavo buracos rasos
que me permitem flertar com a dor
enquanto ouço casos
Tenho um corpo que vibra por muito pouco
mas é movido pelo exagero
não suporta migalhas e cobra
quase que em desespero
e subitamente sobra
Tenho uma ferida que cicatriza quando o olho vem
e o toque desmancha e invade
aniquilando qualquer sensatez
fazendo esquecer o conflito, o erro, a dor
e desejar uma nova embriaguez
de doses álcool e calor
Quando o portão se abre
meu peito é colo de prazer
que acalenta, se entrega e transborda
sem medo de se perder
no sopro da vida que não acorda
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