avó-mãe

Que saudade
Do seu sorriso de criança
De sua admirável vaidade
E eterna graça

Foi embora e a casa se agigantou
O silêncio se instalou
Na dor que deságua vazia
Carente de sua companhia

E parece querer arrancar
O coração, o tempo, a alma
Só para num salto você voltar
Dizendo “tenha calma”

Não quero te ver
Quero te ter
Ouvir suas histórias
Compartilhar minhas vitórias

A observação criteriosa
Os cuidados e a sabedoria
A fala misteriosa
Quando o segredo já não existia

A conversa desenfreada
A presença tão desejada
O discurso sempre motivador
A personificação do amor

Quando penso no tanto que resistiu
Vejo que estava certa em lutar
Desde que (nos) partiu
A vida não é a mesma sem seu olhar

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