Ana Cañas, volta para Curitiba? Volta toda vida!



Descobri Ana Cañas já no seu primeiro trabalho, através do meu ídolo Arnaldo Antunes. Gostei. Gostei tanto, ouvi por tanto tempo que enjoei dos dois primeiros discos e consequentemente passei a ouvi-la com uma intensidade bem menor. Mas no último sábado (08/08), tudo mudou.

               Há três semanas ela veio para Curitiba, no Trajeto Lumen. Com o joelho operado e cansada da fisioterapia, achei que o amor não era o suficiente para me tirar de casa. Acompanhei pela rádio e me arrependi profundamente por não ter ido. O programa me motivou a ouvir o novo álbum, Tô na vida, na íntegra e este, sem dúvidas o melhor trabalho dela, me levou a comprar os ingressos, ainda temendo uma decepção, considerando que nunca tinha ido a um show dela e recentemente havia me decepcionado com outra cantora que gosto muito.

Felizmente, não foi o que aconteceu. No palco, Ana Cañas é uma explosão, de talento, emoção, presença e beleza. Agigantou-se já na primeira música, dominando voz e guitarra com a mesma intensidade e precisão. Eu, particularmente, tive a alma arrepiada, pela primeira vez, em "Mulher" que é uma das minhas músicas favoritas do seu novo álbum, algo que eu gostaria de ter escrito, uma letra que faz com que eu me sinta íntima da Ana Cañas, identificação misturada com compreensão e admiração. "Mulher" é a letra que eu deveria ter gritado aos meus alunos, colegas e familiares machistas e como não soube fazê-lo, ela escreveu e ainda cantou e tocou, sua guitarra e minha alma.

A sensação que eu tinha é que chegaria um momento em que ela não iria caber naquele teatro. E quase não coube quando levou o Teatro Marista abaixo com “Rock And Roll” do Led Zeppelin, enlouquecendo a plateia inteira. E, para mim, também com a interpretação envolvente da própria canção “Será que você me ama?”.

 Ana Cañas provou que é possível fazer música quase grudada no público, esquentou os corações curitibanos que têm a fama-clichê de frios, fez o tempo voar e me deixou querendo mais, muito mais do seu rock capaz de arranhar todas as entranhas de uma alma, agora e por isso, completamente apaixonada.

Como se não bastasse, recebeu todos os fãs no camarim, atenciosa e visivelmente grata. Mas a gratidão, Ana, é nossa, por tê-la na música brasileira, artista, gigante, apaixonante.





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