Enfim, 25!
Há menos de dez anos, eu desfrutava
o prazer da criação em sua plenitude, um progresso intelectual, vontade e
necessidade de fazer arte, de expulsar, materializar em palavras o turbilhão de
sentimentos que me sufocava, de dúvidas que me envolviam e sonhos que eu fantasiava.
Encontrava tempo para ler, ir aos shows, dormir, estudar, assistir filmes,
fazer hora da faculdade, beber, rir, comer, ver a novela, trabalhar com
crianças e ainda arrumar uns esquemas. Há menos de dez anos, talvez eu
estivesse certa de como estaria hoje, obviamente bem diferente de como estou.
Acabo de completar 25 e,
curiosamente, não entrei em crise como aos 20, quando acreditei que o mundo
estava acabando porque eu havia chegado num ponto a partir do qual a vida passaria
rápido demais. Chego a essa idade depois de um ano exaustivo, depois de perder
as forças e ganhar peso, me perguntando “onde está minha mente?” e concluindo,
criando pó, talvez, enquanto meu corpo trabalhava incansavelmente para digerir
tudo que engoli, todas as sobrecargas, meus excessos, o tempo que não foi meu.
Entretanto, o cenário deprimente não fez de meu aniversário uma data
lamentável. O mergulho no nada, entupido de frustrações, me permitiu desejar-
muito- recuperar o ar. O ar da vida que
cria, brinca, deseja, descansa, dança e produz.
Apesar da consciência do “envelhecimento”,
dessa vez foi como nascer de novo. Como se eu tivesse a oportunidade de me dar
mais uma chance, reinserida no mundo como as almas que segundo os espíritas
voltam para recomeçar, mas com aprendizados da vida anterior. Trago um pouco de
sabedoria, algumas reflexões e numerosas indecisões. Trago o desejo de
experimentar novidades, de me divertir como uma adolescente e enfrentar os
problemas como adulta, de liberdade, de companheirismo, de menos hipocrisia e
mais silêncio.
Chego aos 25 determinada a
caminhar sem pressa e por estradas que desconheço, a não perder o hábito de
descartar aqueles que me decepcionam; a dar o melhor de mim aos meus alunos, a
perder minhas sobras, a produzir sentido.
Comemoro meu dia ao lado daqueles que
realmente importam, bebendo, comendo, rindo e também com os poucos que pararam
suas festas para enviar uma música, uma mensagem, uma ligação, um abraço, uma
presença, demonstrando o quanto são merecedores do que sinto por eles. Chego aos 25 certa de
que muitos que fizeram a diferença ontem, já não são fundamentais hoje, porque
o tempo passa, transforma, leva e trás momentos, pessoas; deixa lembranças,
marcas, saudade e também alívio.
Quanto ao meu sempre prometido
romance, prefiro afirmar que se trata de um sonho para essa idade especial. No
entanto, caso ele não se realize, posso comemorar as histórias que tenho
construído fora da ficção.
Há menos de dez anos, eu tinha
mais energia. Hoje, tenho mais emoção!
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