As piores coisas do mundo
Raros são os seres humanos que possuem
a alma inquieta, a curiosidade pelos mistérios que envolvem a vida, pelo que
ainda não foi descoberto pela ciência e, inclusive, pelo que já foi. Raros são
os que desejam conhecer, se apropriar da sabedoria. No entanto, muitos são os extremamente
curiosos quando a novidade é a exposição alheia,sobretudo quando se trata de
algo vergonhoso que resultará em diversão para quem não é vítima e dor para o
alvo. Lamentável, quando ultrapassamos essa curiosidade quase que natural e nos
tornamos difusores da maldade, o que não creio que seja algo totalmente
desprovido de natureza, pois nem tudo que é natural é saudável, ao contrário do
que se prega por aí sem nenhum rigor. A cada dia me convenço mais da maldade
humana.
“Está todo mundo com medo de ser o
zoado da vez!” Afirma o personagem Mano, protagonista do filme “As melhores
coisas do mundo”, ao implorar pelo respeito de seus colegas do colégio. Talvez
essa frase seja a que melhor representa a realidade não só de nossos
adolescentes, mas dos adultos, das pessoas dessa sociedade hipócrita, falsa
moralista, doente que é incapaz de compreender o significado do respeito.
“As melhores coisas do mundo” é um
filme sobre adolescentes para todo público, permite rever e refletir nossos
posicionamentos diante de situações corriqueiras, como por exemplo, a exposição
da intimidade alheia. Informações,
fotos, vídeos de situações particulares circulam por aí com o único propósito
de demonizar alguém como se todos os outros fossem santos, inocentes. Como se
ninguém cometesse erros, como se o que todos fazem, mas escondem, se tratasse
de um erro.
Afinal, o que é certo? O que é errado?
Quem pode dizer? Não seria mais interessante procurar refletir sobre essas
questões em vez de simplesmente aprovar ou reprovar as atitudes dos outros? Mas
pensar não dá ibope, não causa polêmica, não atrai atenção, não rende assunto
para gente pequena. Logo, a melhor opção é crucificar o outro, dói menos do que
pensar.
Por refletir sobre as vezes que já
julguei, os comentários que já fiz, as “últimas” que já espalhei é que percebo
o quanto essa parte de nós, ditos seres humanos, é suja e abominável. Não vou
aderir a hipocrisia de afirmar que nunca me envolvo com a vida dos outros e que
não tenho nada a ver com o que fazem. Sei que não tenho, mas como todo mundo,
já me comportei como se tivesse.
Parece-nos difícil compreender que
cada um é dono de seu próprio corpo e livre para decidir o que fazer com ele. A
opção sexual incomoda, a roupa incomoda, o sexo incomoda, porque é tudo feio,
errado, pecaminoso. Quantos não mandamos para a forca por dia? Quantos
rotulamos como se não passassem de mercadorias descartáveis? Quanto evoluímos?
Portanto, antes de contribuir para
qualquer escândalo, sugiro que se coloque no lugar do escandalizado e pense
como você se sentiria se espalhassem seu segredo na internet, na escola, no
trabalho, na família.
Escrevo para manifestar meu apoio
moral à minha aluna cuja imagem que continuo tendo é de uma menina linda que
sempre respeitou professores, amigos e colegas, possui numerosas qualidades e
talentos que não chegam nem perto do que a reduziram. Escrevo para pedir que
espalhem o filme “As melhores coisas do mundo ” pelo colégio, tenho certeza de
que será bem mais interessante e produtivo do que a intimidade que estão
fazendo circular e não deveria ser de interesse alheio. Escrevo para implorar
por bom senso e respeito.
À você, minha aluna, “Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que
pode aguentar. Nessa hora fique firme pois tudo isso logo vai passar. Você vai
rir... sem perceber...Felicidade é só questão de ser. Quando chover...
deixar molhar... Pra receber o sol
quando voltar” (Felicidade
- Jeneci)”.
Trailer do filme: http://www.youtube.com/watch?v=Q6oa7FMZKKM
Crítica do filme: http://www.cinemaemcena.com.br/plus/modulos/filme/ver.php?cdfilme=8960

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