preguiça

As pessoas não me conhecem. Acho que nem eu me permito conhecer. Por assim ser, sinto-me sempre colocada a prova, como se estivesse sendo testada, inclusive pelos mais íntimos. Parece que a grande curiosidade é saber o que de fato pode me revoltar, me fazer gritar e comprometer minha tranquilidade. Os íntimos se divertem quando meus olhos saltam. Os conhecidos sonham com esse momento, imaginando que devo ser muito engraçada quando brava. Há quem diga que pareço um demônio, mas acho que não chega a tanto, acho que é mais divertido do que assustador.

Me irritar é fácil, isso até eu sei. Me magoar, mais ainda. Qualquer atitude dita pequena aguça minha imaginação, traz a tona coisas passadas e me causa um tremendo embrulho no peito. Ninguém conhece a dimensão da minha sensibilidade, nem eu mesma. É por isso que sou de poucos amigos, poucas conversas e muitas lembranças. Um poço de sensibilidade somado a uma imaginação fértil. O relacionamento acaba se o outro não segurar as pontas. A amizade esfria se o outro não segurar as pontas. Sempre o outro, porque tenho preguiça de me explicar, justificar, concertar, enfim, preguiça de pessoas -e de animais também, vale lembrar. Sempre o outro, porque eu tenho preguiça de mim mesma.

Comentários

Janaina Gonçalves disse…
Olá. Nossa adorei esse texto, muito bom mesmo, se você estava se descrevendo nele, acho que nós somos um tanto parecidas rsrs, me identifiquei muito, parabém pelo talento.
Laís disse…
Obrigada pelo carinho e pela leitura, eu estava me descrevendo sim =) Volte sempre! bjs

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