sobre a doença que não me contamina
“todos foram tão cretinos quando elas se beijaram” Gessinger
Uma das coisas que mais me incomoda é reconhecer, em determinadas situações, minha limitação enquanto formadora de opinião. Não consigo tirar da cabeça dos meus alunos – e muito menos das dos colegas professores – o preconceito em relação aos homossexuais. De todas as faces do preconceito, talvez essa seja a que mais me incomode, pelo simples fato de que meu corpo não é de deus, não é dos meus pais e muito menos da sociedade. Meu corpo é minha propriedade, eu decido o que fazer com ele e só eu sei pelo que sou atraída, não é você quem vai determinar isso.
As pessoas se incomodam com a orientação do outro, regridem pensando que é uma questão de influência, de educação, tentam descobrir se é genético e há quem diga que é doença gostar de alguém do mesmo sexo. Doença é sofrer por preconceito vitimando o outro, por ser incapaz de conviver com a diversidade. Doença é se fechar na própria caverna, cegar por opção.
Gostaria de,devido a minha profissão, conseguir curar algumas dessas doenças, mas os mesmos adolescentes que se dizem diferentes, autênticos e declaram não se importar com o que pensam a respeito deles, vivem em função do pensamento do outro, do pensamento preconceituoso dominante e têm uma resistência muito grande aos homossexuais. Aqueles que são, escondem, não assumem e ainda censuram os assumidos. Os que não são, se acham normais. Quem foi que disse que ser heterossexual é ser normal? E com que propriedade? Felizmente existe uma minoria que não é doente e pela qual tenho um carinho especial.
Há quem pense que a orientação sexual é contagiosa e não perceba que a única coisa que pega nisso tudo é a homofobia, doença dos ignorantes. Devido a pandemia, é preciso tomar muito cuidado para não se contaminar, caso isso ocorra a cura é quase impossível. Os lugares mais infectados são as igrejas, os grupos de moralistas, de covardes que nunca tiveram coragem de sair do armário e, vale lembrar, as escolas, porque é lá que estão pessoas de todos esses lugares reunidas e misturadas. Vale lembrar também que existem pessoas que frequentam todos esses ambientes e não se contaminam, mas esses possuem um antídoto raro que faz com que não vejam diferença nenhuma entre um hétero e um homossexual e por isso não discriminem os segundos, faz também com que não sejam influenciadas por meras opiniões. Trata-se de um antídoto que não está a venda, é gratuito, mas pressupõe que o indivíduo tenha disposição, boa vontade e aquilo que deveria ser inerente ao ser humano, o respeito.
Se você se sente meio ou absolutamente doente, abra a cabeça, o coração, adquira o antídoto e torne-se uma pessoa saudável.

Comentários