mais uma vez o Oscar


Confesso que não faz muito tempo que acompanho indicações e premiações do Oscar, isso se deve ao fato de há alguns anos atrás eu simplesmente não dar ao cinema sua devida importância, ou seja, gostar de filmes apenas como puro entretenimento. Isso mudou somente na faculdade, com a convivência com quem hoje é meu grande amigo e também companheiro de blog, o Luiz, o cara que me ensinou que cinema não era só Angelina Jolie e Bruce Willis, existem diretores, roteiros e tudo mais...rs . Depois dele veio o Daiton, que fez com que eu também me apaixonasse pelos irmãos Coen e foi quem me indicou filmes renomados, muitos ganharam meu favoritismo. Enfim, hoje me interesso bastante por cinema e sempre gostei de premiações, gosto de torcer e, sobretudo, julgar, reclamar dos resultados. Portanto, com integridade ou não, adoro o Oscar e, como toda relação de amor, eu o odeio também.

Quando saiu a lista dos concorrentes deste ano, senti uma dor no coração, surtei e me revoltei. Ignoraram Ilha do Medo, o filme que eu tinha certeza que concorreria a alguma coisa. Esqueceram também das excelentes atuações do DiCaprio. A Academia fechou os olhos para a direção de Nolan. De antemão, era isso que eu sabia e foi o suficiente para me decepcionar. Concluí então que muita coisa boa viria por aí e isso, de certa forma, me confortou. Para que eu pudesse me convencer disso precisaria ver todos os indicados, pelo menos, à categoria de melhor filme. Meta quase cumprida. Só não consegui ver Toy Story 3, Inverno da Alma e O Discurso do Rei, o primeiro por não me interessar por animação, o segundo porque não chegou nos cinemas de Curitiba e não encontrei para baixar e o terceiro porque deixei por último e faltou tempo. E aí vão minhas breves impressões sobre cada um deles.

A Rede Social – Um bom filme, excelente trilha sonora e tecnicamente perfeito, mas que não me envolveu. Tudo bem que não seja um filme sobre o facebook, tudo bem que seja muito mais do que isso, já entendi. Mas é muito americano pro meu gosto e, sim, não gosto deles. Vejam, me refiro a trama em si e não a produção, ok?
Leia uma opinião diferente , de quem gostou e fundamenta a preferência, aqui.



127 horas – James Franco é lindo, merece uma foto gigante e eu daria tudo para ser aquela pedra grudada nele. Quanto ao filme, é angustiante, agonizante. Jurei e reforço, jamais o assistirei novamente, sobretudo por uma cena específica que é o ápice do filme, impossível não fechar os olhos e se recusar a ver ela do início ao fim. Entretanto, emocionante. Desandei a chorar no final e, é, pensando por esse lado, talvez eu até mude de ideia algum dia. O desfecho é de apertar do coração. Vale a pena a tortura e, vale dizer, o tédio também, porque não é muito fácil ficar observando um bonitão lutando contra uma pedra o tempo todo, mesmo com a ótima ideia de se intercalar cenas de lembranças/delírios no meio disso.

Minhas mães e meu pai – Algumas pessoas julgaram o filme machista. Discordo. Apesar de não entender como uma lésbica consegue transar daquele jeito com um homem, considero o filme uma abordagem bastante interessante da relação homossexual. A ideia de que o conceito de família transcende os estereótipos da sociedade é transmitida com muita precisão e nada de preconceito. Os conflitos, a dificuldade em sustentar um casamento, o amor fraternal, tudo retratado de maneira realista e com a colaboração de um elenco que sabe atuar sem exagerar na dose.


A Origem – Tenho fixação por estórias que envolvem mente e sonhos e Nolan foi perfeito ao escolher e desenvolver tal temática. Logo, fiquei muito satisfeita com o resultado do filme. Não possui a pretensão de responder nada e sim de brincar com a dúvida, com as possibilidades de pensamentos dentro da imaginação, com as entrelinhas. Exige atenção e não nos subestima em nenhum momento, pelo contrário, Nolan testa nossa capacidade de percepção sendo minucioso com os detalhes.
Leia resenha do Luiz aqui.

O Vencedor – Não gosto de boxe, mas O Vencedor é mais do que isso. Entretanto as cenas de luta e treinamento, por não me agradarem, fazem com que eu, apesar de considerá-lo um bom filme, o classifique mediano ao avaliá-lo com a minha emoção. Mesmo assim, consegui me envolver com a trama dos irmãos, até porque não se trata de uma luta do bem contra o mal como anunciava um dos trailers, mostrando um como monstro e o outro como um anjo. São seres humanos que erram e acertam, que se revoltam, se apaixonam, que lutam. Emocionante.





Cisne Negro – Depois de Bravura Indômita é o meu favorito da lista. Gosto de balé, dramas físicos e psicológicos e acredito que, com exceção do lance da pele, o filme é suficientemente bonito, ousado e intrigante. E gosto muito de ser incomodada. Dificilmente algo que me incomoda não ganha meu respeito, minha admiração e foi o que aconteceu com Cisne Negro, fui surpreendida, confundida em alguns momentos e a cada cena meu interesse aumentava, não para entender a trama, mas a mente de Nina, o que o diretor quis com a obra. Alguém lá da Gazeta do Povo o definiu como “um filme sobre a arte e a dor de criar”. Acho que isso é tudo, definição belíssima e completa, não preciso dizer mais nada.
Análise interessante sobre o filme aqui.




Bravura Indômita – É meu favorito da lista. Os irmãos Coen conseguiram, mais uma vez, me emocionar, arrancando risadas e também um pouquinho de chororô. Não entendo nada de mixagem ou edição de som, mas, um dos dois ou os dois contribuíram muito para que o filme ganhasse meu favoritismo, as cenas em que mais me emocionei foram porque tinham um efeito sonoro de arrepiar, sem contar a entrega do elenco. Uau!
Meus comentários sobre o filme estão aqui.

Acho que a cerimônia do Oscar é, pensando bem, o de menos nisso tudo. Interessante é o processo, as especulações e a torcida. A motivação que leva alguém a entrar numa maratona cinematográfica, desde a procurar assistir a todos os filmes até a discuti-los, criticá-los, defendê-los, buscar informações. Para quem gosta do assunto, com conservadorismo ou não, agradando ou não, é um prato cheio. Divirtam-se!

Comentários

"eu daria tudo para ser aquela pedra grudada nele" uashsauhasuahss

O Oscar é algo curioso mesmo... Desde sempre a noite do Oscar é "aquela noite que você insiste em ficar acordado até a tarde só para passar raiva". E o único ano em que isso não teria acontecido foi justamente um ano em que não vi nem um pedaço da cerimônia: Quando O Retorno do Rei levou suas merecidas 11 estatuetas. Mas como você disse, a diversão toda esta no processo, na torcida por seus favoritos e o suspense na hora da abertura do envelope.


Obrigado pela citação lindona!
É isso mesmo, ainda estou pensando se aguento ou não, ou melhor, se vale a pena o esforço considerando que na manhã seguinte tenho cinco aulas.
Samara disse…
Ótimo, Láh! E obrigada pela citação, mas que vergonha, espero que ninguém vá ler esperando uma grande análise, é mais uma percepção. E vamos as minhas breves perecepções sobre os filmes: A Rede Social é o filme mais refrescante e relevante da lista, discordo que seja um filme frio, mas tem uma vibe americana mesmo, no entanto, não deixa de ser universal. 127 horas é esforçado e competente, mas não vai além. Minhas mães e meus pais é muito bom, mas não merecia tá na lista. A origem é genial só que falta um quê a mais, ainda assim um dos meus preferidos do ano. O Vencedor é tocante, mas não o suficiente. Cisne Negro peca no exagero e na falta, acho superficial e previsivel, embora tenha ideias e concepção admiráveis e até fica no meu top 5 dos indicados. Bravura Indomita é bem feito, mas não original. Inverno da Alma é um filme de supercine bem produzido. Toy Story 3 é bonitinho, engraçadinho e só. O Discurso do Rei é adorável, bem feitinho, mas muito perfeitinho, não inova, não surpreeende, mas me emocionou.
Unknown disse…
Olá Sam, valeu pelas percepções, indiquei seu texto porque realmente gostei. Também acho que Minhas mães e meu pai não deveria estar lá, na real, acho que a lista deveria se limitar a cinco filmes, seria uma seleção mais criteriosa, imagino.
Quanto A Origem, é um filme que vou comprar para passar pros meus alunos, ou pelo menos indicar porque é meio longo né?...rs

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