sobre o meu problema
Considerava-me madura o suficiente para uma pessoa com a pequena experiência que tenho. Não sou madura, sou uma criança desgovernada, “carente de carinho” como diz minha música. Sou uma adolescente apaixonada e uma mulher que não aprendeu a gritar com um homem, que não faz barraco e guarda tudo, mágoas, satisfações, lembranças. Haja memória e coração para tanto rancor. Haja memória e coração para tanta gratidão. Sou uma pessoa que não aprendeu, ainda, a ser dura com os outros.
Ensaio discursos no chuveiro. São sempre muito bons, agressivos e bem fundamentados, mas logo vão embora. Junto com a água vai também a coragem. Aliás, acho que é a falta de coragem que me motiva a escrever, é meu único jeito de fazer estardalhaço. Engana-se quem pensa que sou assim por medo de perder. Sou assim pelo medo de me sujeitar, de num discurso acabar me humilhando, me jogando no chão e dizendo “pise”. Posso até ser isso na prática, mas no discurso me sustento no meu pedestal, estou sempre disfarçando, fingindo não sentir o impacto, não ver. Essa postura faz com que meus alunos acreditem que sou tranquila quando na verdade sou um poço de nervosismo. Entretanto, a questão é : por quê?
Ontem tive uma noite divertidíssima ao lado de pessoas que sequer conhecia ou conhecia muito pouco. Gente de uma receptividade incrível, espírito despreocupado com essas coisas que nos causam as ditas doenças da alma. Gente livre e, por isso, feliz. Depois da diversão, a reflexão.
Ao acordar, comecei a me questionar sobre minhas frustrações, meus problemas. Há alguns dias a aula do excelente Daniel me ajudou muito. Ontem, a festa. Hoje, a conversa comigo mesma. Decisões a serem tomadas com cautela para um passo efetivo para a maturidade que tanto digo ter e, sobretudo, para a paz comigo mesma. Algumas já foram tomadas e dependem do meu bom desempenho no caminho, outras ainda estão sendo analisadas.
O fato é que reconhecer esse meu problema relacionado diretamente ao orgulho, ou seja, essa minha briga entre o que sou e o que digo, já é o bastante, embora não o suficiente. Agora já sei o que precisa ser superado para que o resto possa ser mudado. Preciso abandonar a falsa imparcialidade, porque eu sempre fui uma pessoa muito bem posicionada, mudo de lado constantemente, mas sempre tenho um lado. Estou longe de ser um objeto inanimado, portanto, não faz sentido que me comporte como tal. Acho que só eu sei do que estou falando, de qualquer forma, fazia tempo que eu não usava meu blog (meu analista) para simplesmente desabafar.
Comentários
Bjos!!!