Lembro-me de meu pai nunca chegar da rua com algum doce, brinquedo ou qualquer outra coisa que anunciasse que pensou em nós, as filhas, enquanto esteve fora de casa. Lembro também que minha mãe cobrava isso dele e, como resposta, obtinha o argumento de que caso ele fizesse isso uma vez, teria que fazer sempre, pois criaria em nós, crianças, tal expectativa e nos desapontaria no dia em que não pudesse cumpri-la, por falta de dinheiro ou tempo, duas palavras que, aliás, sempre ocuparam o cerne de discussões, desentendimentos e justificativas. Ele nunca tinha tempo para brincar, sair, viajar ou fazer qualquer outra coisa além de trabalhar porque tinha que ganhar dinheiro, muito dinheiro. E até hoje não aceita que tenhamos tempo para essas coisas, porque acredita que temos que ganhar dinheiro, muito dinheiro. Excesso de ambição e prevenção. Medo de não o ter no momento da real necessidade. Só mais tarde descobri que, carente, meu pai queria que, desde pequenas, gostássemos dele sem que ...
Comentários
Talvez, frustrado...
Beijo,
Doce de Lira