palavras soltas

Ouve-se muito dizer que o que motiva os escritores a exercerem seu ofício é a inquietação, o que envolve surpresas, decepções, ódio, dores e tantos outros sentimentos que, por mais que  não sejam incomuns, de certa forma, abalam a normalidade emocional.  Dizem também que transformar sentimentos em palavras é para quem tem talento. Para os linguistas,escrita é trabalho, trabalho de reescrita. Concordo, acredito que todos podem se expressar bem escrevendo, a diferença está na habilidade que uns adquirem com mais facilidade e outros não. Há sim talento, também, e inspiração no que diz respeito a criação. Mas palavras soltas não precisam de talento, habilidade, reescrita. Precisam de sentido.


Há alguns dias, ganhei da minha irmã uma agenda apaixonante, da Livrarias Curitiba, linda. Sem saber como usá-la, como aproveitar sua beleza, guardei. Primeiramente tive a ideia de preenchê-la com fragmentos filosóficos e literários que significam algo para mim. Não abandonei a pretensão inicial, mas há dois dias não pensei duas vezes ao usá-la para registrar palavras soltas que no momento em que escrevi significavam algo forte para mim. A razão disso está, evidentemente, atrelada à emoção e a memória. Diário, blog, romance, poesia, tudo isso tenho e uso como e com a frequência que posso e sinto necessidade. Mas nunca tive o hábito de registrar palavras isoladas. Sei que ao olhá-las, em alguns anos, vou saber porque as escrevi. São uma espécie de chave para a gaveta da memória que ninguém além de mim terá acesso.

O mais interessante de tudo isso é a diferença da intensidade de sentimentos de um dia para o outro. No primeiro fui motivada por amor, felicidade e emoções positivas. No segundo, decepção e mágoa causada s pelos mesmos motivos e pela mesma pessoa que no dia anterior me fez tão bem, contraditório? Não. Afinal, quando no primeiro dia escrevi TEMO, inspirada no significado do bilhete no filme “O segredo de seus olhos” e no impacto que isso me causou, eu sabia, muito bem, do que se tratava, talvez até tenha previsto o lado ruim, embora tenha me surpreendido, infelizmente.


De qualquer forma, fica a dica para quem tem paixão por palavras e problemas com a memória.

Comentários

Samara disse…
Boa dica. Os desmemoriados agradecem. Costumo fazer isso e costumo escrever cartas que nunca chegou ao destinatário. Serve de lembrete, mas serve tb de escape emocional. ficamos sempre um pouco melhor depois de escrever, né?

Ah, ficou lindo layout novo do blog!

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