Livros - 31/12/2009

Os livros que li em 2009 foram, a maioria, significativamente marcantes. Mas foram pouquíssimos, o que considero uma grande vergonha. Isso é a prova de que quando o corpo está cansado, realmente o resto quase não funciona. Enfrentando momentos não muito agradáveis e extremamente exaustos, acabei deixando a leitura de lado por meses, mesmo havendo um incentivo por parte do mesmo homem que me indicou ótimos filmes, sempre me emprestando um livro ou outro, e também certa pressão por causa da pós, nada disso fez com que eu lesse quando não me sentia física e espiritualmente bem.

Foram nada mais, nada menos do que doze obras que, assim como com os filmes, classifiquei com risadinhas. Porém, o universo da literatura e da filosofia é o que me sinto mais a vontade para transitar, digamos que piso firme e sem medo. Porque, é visível, entendo mais de livros do que de filmes. Por isso fiz uma análise de alguns deles e acabei publicando aqui, gostaria de ter feito de todos, mas talvez por preguiça, isso não ocorreu. Segue, portanto, minha classificação com os comentários daqueles que nada publiquei.


A Grande Arte – Rubem Fonseca.

Classificação: =) =)

Esse é um livro cuja classificação foi injusta, confesso. Razão disso é que eu o li enquanto lia outras obras, aos fragmentos, e também acabei deixando-o de lado por um longo período, isso fez com que eu perdesse a emoção e chegasse ao fim da obra me sentindo confusa e não muito animada. Merece que eu a releia e reclassifique.


A Moreninha – Joaquim Manoel de Macedo

Classificação: =) =) =)


À espera dos bárbaros – J.M. Coetzee

Classificação: =) =) =) =)

Esse foi o primeiro que li do Coetzee, até então não havia lido um autor tão objetivo e que praticamente não recorre às famosas metáforas. Uma escrita fantástica que torna a leitura impossível de ser abandonada no meio do caminho, exige que se leia com atenção e pressa. Coetzee tem o dom de provocar no leitor a fome, quese insaciável, de suas palavras. O contato com o autor e sua obra é um aprendizado riquíssimo e, acima de tudo (como deve ser na literatura), um enorme prazer.


Barão Vermelho, por que a gente é assim – Ezequiel Neves, Guto Goffi, Rodrigo Pinto.

Classificação: =) =) =) =)

A biografia da banda que admiro – agora ainda mais - , é muito bem escrita e desprovida de devaneios. Apontando qualidades e defeitos, altos e baixos, e utilizando uma linguagem acessível e que, em muitos momentos, remete às da época em que o Barão surgiu (gírias, por exemplo), os autores envolvem o leitor rápida e racionalmente. Traduzem às emoções vividas pela banda a ponto de causar arrepios. Porém, embora seja um registro riquíssimo e com fotografias incríveis, peca, um pouco, na diagramação. O texto é interrompido com páginas e páginas de textos aleatórios e fotos, as fotos não seriam tão prejudiciais à concentração do leitor, mas outros textos foi, em minha opinião, um erro. Poderiam, perfeitamente, estar no final de cada capítulo. Com exceção deste ponto, o livro é, sem dúvida, muito bom e um registro recomendado não apenas aos fãs, mas a todos aqueles que se interessam pelo bom rock brasileiro.

Cândido – Voltaire

Classificação: =) =) =) =) =)



Desonra – J.M. Coetzee

Classificação: =) =) =) =) =)

Melhor que “À espera dos bárbaros”, “Desonra” é um exagero positivo de sensações, envolvente. Talentosamente, Coetzee vai criando uma série de esperanças no leitor e, num golpe, acaba com todas elas, surpreendendo-nos, num desfecho inesperado.

Um doce aroma de morte – Guillermo Arriaga

Classificação: =) =) =) =) =)

Conhecendo apenas seus ótimos roteiros na esfera do cinema, mas nada de literatura, mergulhei nessa leitura dividida entre curiosidade e expectativa. Com uma criatividade e estilo de escrita surpreendentes, Arriaga consegue, sem nenhuma dificuldade, seduzir o leitor e produzir (muitos) sentidos.

Contos do terror – Edgar Allan Poe

Classificação: =) =) =) =) =)

Uma reunião de contos capazes de produzir um terror interno difícil de definir, denominar. Em alguns momentos, o horror parece surgir diante dos olhos. Não causa medo, em nenhum momento, apenas um terror e, vale dizer, posterior.

Os dados estão lançados – Jean Paul Sartre

Classificação: =) =) =) =) =)



A prostituta respeitosa – Jean Paul Sartre

Classificação: =) =) =) =) =)

Comentário aqui.


Ostra feliz não faz pérola – Rubem Alves

Classificação: =) =) =) =) =)

Aqui o Rubem Alves apresenta, com a mesma naturalidade de uma conversa, seus pontos de vista, alguns com certa agressividade, outros emocionantes e, nenhum, ausente de sua visível sensibilidade. Para alguns, outra maneira de pensar, para outros ( e é aí que me incluo), comunicação de pensamentos que, na maioria das vezes, não se diferenciam dos seus. Apesar de contar a mesma história por duas ou três vezes, ele as utiliza como diferentes argumentos, o que torna a estratégia válida.


O diabo e outras histórias – Tolstói

Classificação: =) =) =) =) =)

Uma seleção de contos críticos, comoventes, reflexivos e profundos. Um deles, extremamente profundo, os outros, interessantes e, também, apaixonantes. A obra é muito bonita e, sem dúvida, uma riqueza literária.



Um ano de muita leitura de mundo, palcos, filmes e livros para todos(as) !





Laís Bastos da Silva

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