Encantos e Descobertas - 01/09/2009

Ontem tive uma experiência enriquecedora, percebi e senti que uma das melhores opções que fiz nesse ano foi ir até a I Bienal do Livro de Curitiba, sem nenhuma outra pretensão que não fosse prestigiar pessoas que admiro, no caso, Regina Ziberman e Miguel Sanches Neto, ele pouco li e pouco conheço, mas tinha a curiosidade de vê-lo e ouvi-lo, já a Regina me encanta com seus textos. Eu a conheci na pós e me apaixonei tanto pela forma como pelo conteúdo de todo o seu trabalho. Ela não me surpreendeu, apenas atendeu as minhas expectativas que não eram poucas nem pequenas. Quem me causou um verdadeiro impacto mesmo não foi a autora e professora que tenho como referência, mas o Miguel Sanches. Agora, faltam-me palavras para defini-lo e expressar o que, a partir de ontem, a figura dele passou a representar para mim.
Mas o que esse cara fez? Falou das próprias experiências e aquilo me encantou pelo fato de ter feito com que eu me encontrasse. Não gosto de admitir isso, mas sou uma pessoa que embora tenha sido precisa na hora de decidir meu curso, ainda não tinha- até ontem- me achado, ainda estava meio perdida, sem saber o que queria de minha vida no sentido profissional. E com as palavras não só do Miguel, embora ele tenha sido mais impactante, mas também da Regina, me dei conta que em três anos de filosofia nunca me entreguei tanto a um congresso ou curso, como o fiz ontem.
Descobri que embora eu não me arrependa nem um pouco por ter cursado filosofia, pelo contrário, e também seja apaixonada por psicanálise, o meu terreno, o lugar onde eu tenho que pisar e transitar é a literatura, é disso que eu gosto. Na tarde anterior, tive a sensação de estar em casa e isso fez com que eu sentisse vontade de não sair mais dali. Talvez eu esteja me precipitando ao afirmar isso, mas acredito que esse sempre foi o meu foco e, pode-se dizer, o meu talento.
Numa tarde decidi o tema da minha monografia da especialização e meus próximos passos. Contra toda essa minha vontade, possuo elementos bastante prejudiciais, mas que podem ser superados, desde que eu tenha paciência e dedicação. Estes elementos dizem respeito a minha formação literária. Conto com uma bagagem absolutamente fragmentada, vaga e limitada, o que se trata de um processo que não pode ser resolvido da noite para o dia, não posso me atualizar num ano, por exemplo. A literatura entrou muito tarde em minha vida, sempre houve uma falta de estímulos externos, isso inclui escola e casa. Criei o hábito de ler por iniciativa própria, embora já escrevesse há muito tempo. Mas a leitura entrou muito tarde em minha vida, faltava interesse, outras coisas eram mais importantes. Porém, como eu tinha essa inclinação, escondida em algum lugar, acredito que se tivesse sido “estimulada” teria hoje uma bagagem bem mais significante do que a que tenho. E foi basicamente sobre esse “estímulo” que os palestrantes discutiram e,talvez, o ponto em que mais me identifiquei.
É difícil transmitir esse meu contentamento para quem está de fora e por mais que conheça meus conflitos, não conviva com eles. O que posso afirmar é que graças a Bienal resolvi pelo menos uma parte dos meus problemas, por influência direta desses dois participantes que citei. Não somente me identifiquei com eles, em diferentes aspectos, mas aprendi muito e me descobri.
Recomendo o evento para todos aqueles que gostam ou simplesmente possuem algum tipo de curiosidade em relação à literatura. É barato, longe, mas muito, muito enriquecedor.
Informações:http://www.bienaldolivrocuritiba.com.br/
Laís Bastos da Silva
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