Se sujeitar ou não? eis a questão !
Como se gostar de alguém fosse a melhor coisa do mundo, a gente costuma se empolgar quando isso acontece. No meu caso, sendo este um fato raro, eu acabo me sentindo uma pessoa normal. “Nossa... eu também tenho um coração!”. E a partir daí as músicas, os filmes, os livros e a vida em si, ganham outro sentido, é como se adquirissem um significado, um significado que tem sabor, cheiro, cor.
Mas gostar de alguém não é a melhor coisa do mundo, porque gostar de alguém dói, e a gente demora a perceber isso, só percebemos quando sentimos e aí, ou você sai fora e volta ao batimento cardíaco normal, ou se sujeita e já diria a canção do Palavra Cantada... “um sujeito que se sujeita é um objeto”. E quando se é objeto, a situação sempre se repete e você acaba se acostumando com a dor, com o sofrimento que a pessoa que você julga gostar- e por isso ser essencial em sua vida- causa. Como nunca gostei de ser objeto, como não me sujeito, escolho, sempre, sair de cena. Pelo menos saindo de cena posso pensar que foi bom enquanto durou, porque a parte boa é sempre a única válida e se você não se cuidar, logo logo substitui tal parte por rancor, arrependimento, repugnância.
Eu achava que a expressão “perder o chão” era puro exagero, infelizmente estava enganada. Hoje perdi o meu, e espero ser controlável o suficiente para não permitir que isso se repita em nenhum momento futuro de minha vida, porque perder o controle emocional é uma aventura e tanto, mas as conseqüências são friamente cortantes!
Laís Bastos da Silva
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