
Eu não gosto do que estou sentindo agora. Uma certeza tênue de que o encanto se desfez, transformando-se em espanto, percorre meu corpo, sufoca meu coração. Sinto vontade de me entregar a um choro escondido, para que você não saiba que sou de carne, osso e alma, para lamentar não sei o quê e encontrar o pedaço de minha resistência que se perdeu. Gostaria de entender essa possível insegurança, esse suposto aviso.
No início, quando tudo era festa, eu me perdia num êxtase desprovido de medo, qualquer coisa possessiva e dor. Agora, quando a música pára, meu coração dispara, porque já não danço sem medo e já sinto que é hora de parar. Posso estar errada, e luto a favor disso, pois o erro é a única coisa que não me tornaria controlada por uma rotina que me destina a por tudo a perder.
Exijo demais quando quero ser entendida pelas palavras que não são ditas, quando quero que saiba que não gosto de me explicar. Eu poderia escrever, já que não me sinto capaz de falar, que entrei em desespero quando achei que coloquei tudo a perder, quando achei que perderia, quando tive a certeza de um erro, eu poderia admitir que jamais senti aquilo: um medo assustador, angústia, aflição, mágoa estraçalhada para e por todos os lados. Eu poderia lhe escrever uma carta admitindo que sei que não durará muito, que tenho cargas de perguntas em minha mente e dúvidas em minhas costas. Eu poderia confessar que sempre acho que sou o motivo da piada, a página rasgada.
Minhas teorias somadas às experiências- mais imaginárias do que reais- gritam todas as noites que tudo é um jogo, que nada é sincero.
Se eu conseguisse escrever uma carta, desenharia nós dois, numa madrugada fria e calada, sem carros, esquinas, aviões, cães e pessoas. Mas eu não sei desenhar e já não escrevo cartas, embora meu coração seja pesado demais.
No fundo, eu gostaria de revelar que meu maior medo era o que eu enfrentaria por causa de algo que você acredita ser uma breve aventura, por causa dessa sensação forte que sinto pulsar dentro de mim.
No início, quando tudo era festa, eu me perdia num êxtase desprovido de medo, qualquer coisa possessiva e dor. Agora, quando a música pára, meu coração dispara, porque já não danço sem medo e já sinto que é hora de parar. Posso estar errada, e luto a favor disso, pois o erro é a única coisa que não me tornaria controlada por uma rotina que me destina a por tudo a perder.
Exijo demais quando quero ser entendida pelas palavras que não são ditas, quando quero que saiba que não gosto de me explicar. Eu poderia escrever, já que não me sinto capaz de falar, que entrei em desespero quando achei que coloquei tudo a perder, quando achei que perderia, quando tive a certeza de um erro, eu poderia admitir que jamais senti aquilo: um medo assustador, angústia, aflição, mágoa estraçalhada para e por todos os lados. Eu poderia lhe escrever uma carta admitindo que sei que não durará muito, que tenho cargas de perguntas em minha mente e dúvidas em minhas costas. Eu poderia confessar que sempre acho que sou o motivo da piada, a página rasgada.
Minhas teorias somadas às experiências- mais imaginárias do que reais- gritam todas as noites que tudo é um jogo, que nada é sincero.
Se eu conseguisse escrever uma carta, desenharia nós dois, numa madrugada fria e calada, sem carros, esquinas, aviões, cães e pessoas. Mas eu não sei desenhar e já não escrevo cartas, embora meu coração seja pesado demais.
No fundo, eu gostaria de revelar que meu maior medo era o que eu enfrentaria por causa de algo que você acredita ser uma breve aventura, por causa dessa sensação forte que sinto pulsar dentro de mim.
PS: Não sei quando escrevi isso, estou me torturando por não ter colocado a data. O fato é que ontem o encontrei em um dos meus cadernos e achei tão interessante... Pelo que percebo, eu estava vivendo uma insegurança que já não cabia dentro de mim, pois, nesse sentido, a escrita funciona como uma espécie de terapia, é como se eu precisasse dividir isso de alguma forma, e dividi com meu caderno. O mais engraçado é que não consigo lembrar o que me levou a tanto e, por incrível que pareça, grande parte do que escrevi aí já mudou, já não me incomoda e hoje eu não escreveria. Mas eu gostei das minhas palavras, confesso que me surpreendi quando li e por isso resolvi publicar. Só não me façam perguntas, contentem-se com isso, já é muito para um blog, mesmo ele sendo restrito.
Laís Bastos da Silva
Comentários