os filhos que espalhei por aí
Há uns dois dias, minha avó – uma figura incrível com seus 81 anos de experiência em plena lucidez-, me perguntou :”minha filha, por que você não fala sobre seus problemas?” Eu respondi que escrevia, ela insistiu em saber o por quê da escolha de não falar e sim escrever, argumentei que era minha maneira de desabafar. No fundo, sempre tive mais facilidade para escrever do que falar. Minha avó, cuja teimosia devo ter herdado, não desistiu: “Então por que não queima depois?”. Por coincidência, ou não, eu estava lendo “A moreninha” de Joaquim Manoel de Macedo e, logo na primeira página, ou autor me conquistou com a seguinte afirmação: “Quem escreve olha a sua obra como filho, e todo mundo sabe que o pai acha sempre graças e bondades na querida prole”. Lembrando dessa frase, verdadeiramente sincera, respondi que eu não queimava porque não sabia se queira ter filhos e eu tinha que deixar alguma coisa para o mundo. Ela riu balançando a cabeça, nós nunca entramos num consenso.
Várias vezes já comentei com diversas pessoas que se um dia algo ou alguém me privar de escrever eu enlouqueço, essa é uma certeza que tenho, porque escrever é minha maior paixão sem dúvida nenhuma. Por medo de ser esquecida, por querer deixar alguma coisa, por medo de um dia perder a memória, já não jogo fora minhas palavras. Quando releio meu diário, pulo as partes tristes e meu lado cruel e sujo, e me divirto com minhas constantes mudanças de opinião, com as inúmeras vezes que me julguei apaixonada, com meu interessante temperamento “enjoadinho”, com as coisas que se passam em minha cabeça, etc. Quando leio estórias que criei aos 14 anos, me surpreendo. Quando vejo meus antigos poemas, me surpreendo novamente, considerando-os melhores- bem melhores -, do que os atuais.
Minhas surpresas vão desde os erros de português as idéias “fora da casinha”, como diria minha amiga Ana. Portanto, vovó, não vou queimar depois de escrever, a senhora queimaria um filho?
Várias vezes já comentei com diversas pessoas que se um dia algo ou alguém me privar de escrever eu enlouqueço, essa é uma certeza que tenho, porque escrever é minha maior paixão sem dúvida nenhuma. Por medo de ser esquecida, por querer deixar alguma coisa, por medo de um dia perder a memória, já não jogo fora minhas palavras. Quando releio meu diário, pulo as partes tristes e meu lado cruel e sujo, e me divirto com minhas constantes mudanças de opinião, com as inúmeras vezes que me julguei apaixonada, com meu interessante temperamento “enjoadinho”, com as coisas que se passam em minha cabeça, etc. Quando leio estórias que criei aos 14 anos, me surpreendo. Quando vejo meus antigos poemas, me surpreendo novamente, considerando-os melhores- bem melhores -, do que os atuais.
Minhas surpresas vão desde os erros de português as idéias “fora da casinha”, como diria minha amiga Ana. Portanto, vovó, não vou queimar depois de escrever, a senhora queimaria um filho?
Laís Bastos da Silva
Comentários
Palavras não são más
Palavras não são quentes
Palavras são iguais
Sendo diferentes
Palavras não são frias
Palavras não são boas
Os números pra os dias
E os nomes pra as pessoas
Palavra eu preciso
Preciso com urgência
Palavras que se usem
em caso de emergência
Dizer o que se sente
Cumprir uma sentença
Palavras que se diz
Se diz e não se pensa
Palavras não têm cor
Palavras não têm culpa
Palavras de amor
Pra pedir desculpas
Palavras doentias
Páginas rasgadas
Palavras não se curam
Certas ou erradas
Palavras são sombras
As sombras viram jogos
Palavras pra brincar
Brinquedos quebram logo
Palavras pra esquecer
Versos que repito
Palavras pra dizer
De novo o que foi dito
Todas as folhas em branco
Todos os livros fechados
Tudo com todas as letras
Nada de novo debaixo do sol
Beijo
Tua vó apavora, mas fique susse que ela ainda te convençe a ter um monte de carequinha hauahauhua