"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

Finalmente terminei de ler o extraordinário Ensaio Sobre a Cegueira, do José Saramago. Levando em consideração o meu tempo escasso para dedicar-me e leitura de romances, poesias e afins, acredito que “devorei” a obra. Eu já havia afirmado aqui, quando ainda estava no início da leitura, o quanto o romance vinha influenciando minha vida e minha forma de ver o mundo. Acho que não é preciso mencionar que me emocionei, é? Perceber-se diante de uma fantasia que nos remete a um mundo completamente possível, a uma cegueira física e espiritual, é uma ótima experiência.
Enquanto lia “O Homem Máquina” do La Mettrie, me deparava com frases que adorava, pegava minha “agenda de frases” e anotava, desde então, adquiri o hábito de ler com ela ao lado, se por um acaso aparecer algo que me chame a atenção de alguma forma. Foi o que ocorreu com o Saramago, anotei diversas frases e vou colocá-las aqui, pois acredito que merecem ser compartilhadas. Algumas confiei a memória, por estar lendo na cama antes de dormir, resultado? Esqueci. Aí vão as 50 frases:
“Os defeitos, só por deles se falar, passam logo de mal perceptíveis a mais do que evidentes”;
“Se antes de cada ato nosso nos puséssemos a prever todas as conseqüências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar.”;
Enquanto lia “O Homem Máquina” do La Mettrie, me deparava com frases que adorava, pegava minha “agenda de frases” e anotava, desde então, adquiri o hábito de ler com ela ao lado, se por um acaso aparecer algo que me chame a atenção de alguma forma. Foi o que ocorreu com o Saramago, anotei diversas frases e vou colocá-las aqui, pois acredito que merecem ser compartilhadas. Algumas confiei a memória, por estar lendo na cama antes de dormir, resultado? Esqueci. Aí vão as 50 frases:
“Os defeitos, só por deles se falar, passam logo de mal perceptíveis a mais do que evidentes”;
“Se antes de cada ato nosso nos puséssemos a prever todas as conseqüências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar.”;
“Perante a morte, o que se espera da natureza é que percam os rancores, a força e o veneno”;
“Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos façamos tudo para não viver inteiramente como animais”;
“O medo cega”;
“Lutar foi sempre, mais ou menos, uma forma de cegueira”;
“Não há no mundo nada em que sentido absoluto nos pertença”;
“Para alguma coisa boa nos haverá de servir a memória” (mais tarde ele escreve o mesmo sobre a imaginação);
“A lei quando nasce é igual para todos e a democracia é incompatível com tratamento de favor”;
“Está por nascer o primeiro ser humano desprovido daquela segunda pele a que chamamos egoísmo, bem mais dura que a outra, que por qualquer coisa sangra”;
“Não é pelo aspecto da cara e pela presteza do corpo que se conhece a força do coração”;
“Corno consentido é duas vezes corno”;
“Há gestos para que nem sempre se pode encontrar uma explicação fácil, algumas vezes nem a difícil pôde ser encontrada”;
“Perguntar de que morreu alguém é estúpido, com o tempo a causa esquece, só uma palavra fica, Morreu”;
“Não se diga que é cego quem ainda assim seja capaz de ver”;
“Que temos de morrer, sabemo-lo desde que nascemos, por isso, de uma certa maneira, é como se já tivéssemos nascido mortos”;
“A cegueira também é viver num mundo onde se tenha acabado a esperança”;
“Os velhos hábitos custam a esquecer, mesmo quando chega um momento em que já os julgávamos de todo perdidos”;
“No fim das contas o que está claro é que todas as vidas se acabam antes do tempo”;
“Uma pessoa se habitua a tudo, sobretudo se já se deixou de ser pessoa”;
“A fome sempre teve um olfato finíssimo”;
“Os mortos nunca acabam de morrer porque sempre vem alguém ressuscitá-los”;
“O destino tem de fazer muitos rodeios para chegar a qualquer parte”;
“Ser fantasma deve ser isto, ter a certeza de que a vida existe, porque quatro sentidos o dizem, e não a poder ver”;
“As frases feitas não têm sensibilidade para as mil sutilezas do sentido”;
“Os animais são como as pessoas, acabam por habituar-se a tudo”;
“As lágrimas que sentido têm quando o mundo todo perdeu o sentido”;
“Como a vida é frágil, se a abandonam”;
“Quanto ao sangue, para alguma coisa há - de ele servir, além de sustentar o corpo que o transporta”;
“Quando a aflição aperta, quando o corpo se nos desmanda de dor e angústia, então é que se vê o animalzinho que somos”;
“Sem futuro, o presente não serve para nada, é como se não existisse”;
“A vingança, sendo justa, é coisa humana, se a vítima não tiver um direito sobre o carrasco, então não haverá justiça”;
“Certos velhos, sobra-lhes em orgulho o que lhes vai faltando em tempo”;
“Os duros de coração também têm os seus desgostos”;
“As respostas não vêm sempre que são precisas, e mesmo sucede muitas vezes que ter de ficar simplesmente à espera delas é a única resposta possível”;
“A experiência é realmente a mestra da vida”;
“Uma desgraça nunca vem só”;
“Mulheres, quem não as conhecer que as compre”;
“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”;
“Sempre fomos mais alguma vez”;
“Não é só na natureza que às vezes nem tudo se perde e algo se aproveita”;
“Tanto nos custa a idéia de que temos de morrer, que sempre procuramos arranjar desculpas para os mortos, é como se antecipadamente estivéssemos a pedir que nos desculpem quando a nossa voz chegar”;
“Um escritor acaba por ter na vida a paciência de que precisou para escrever”;
“É bem certo que o difícil não é viver com as pessoas, o difícil é compreendê-las”;
“Um dia quando compreendermos que nada de bom e útil podemos já fazer pelo mundo, deveríamos ter a coragem de sair simplesmente da vida”;
“Não há nada melhor para fazer mudar de opinião do que uma sólida esperança”;
“Mais nos pertence o que veio oferecer-se a nós do que aquilo que tivemos de conquistar”;
“O costume de cair endurece o corpo”;
“Mesmo quando a desgraça é comum a todos, sempre há uns que passam pior do que outros”;
''Nunca se pode saber de antemão de que são capazes as pessoas, é preciso esperar, dar tempo ao tempo, o tempo é que manda, o tempo é o parceiro que está a jogar do outro lado da mesa, e tem na mão todas as cartas do baralho, a nós compete-nos inventar os encartes com a vida.'';
Por essas e outras que sou apaixonada por literatura, me entrego totalmente enquanto leio, talvez por isso eu sinta fortes emoções, sejam elas boas ou más. Quanto ao Saramago, trata-se de um autor que só me surpreende a cada leitura, maravilhoso.
Laís Bastos da Silva
Comentários
Bom, deixa pra lá, não acho palavras pra adjetivar o Nobel de literatura.
Agora espero, com ansiedade, o lançamento do filme de Fernando Meirelles.
E o lance de frases, eu tb. perco várias quando leio na cama. O pior que esses dias joguei frases importantes de Gabriel Garcia Marques. Acho que vou ter que reler os livros deles. hehe.
Um beijo e bom domingo