Conflito mais que íntimo


É muito fácil e cômodo dizer ao outro o que fazer ou não. Neste ano, sobretudo nos últimos dois meses, fiz da minha vida uma guerra entre coração e mente (por um momento isso me soou “Corações e Mentes” dos Titãs), de repete coloquei a culpa de todos os meus conflitos internos na faculdade, seria mesmo?
É raro o dia ou a noite que eu não sinta meu coração querendo saltar pela boca e, quando isso acontece, lembro das palavras de Saramago que dizem mais ou menos o seguinte: Tem horas que se você não chorar, parece que vai morrer. Bom, então eu choro, acho que choro tudo o que tenho para chorar porque se eu não o fizesse morreria, o que não se trata de uma força de expressão. Sinto que a todo o momento tem alguém fazendo um esforço enorme para me atingir, uns com o silêncio, outros com subestimações, com gritos, olhares. Estaria eu paranóica?
De uns dias para cá, sinto que venho perdendo a visão, sem lente quase não vejo nada, com a lente tenho saltos que embaralham tudo, outros que esfumaçam e poucos que me deixam ver com nitidez. Como se não bastasse me encontro num momento em que tenho que administrar o medo de perder meu principal e já falho, diga-se de passagem, sentido.As enxaquecas e as crises(fortes) na coluna acabaram, ou pelo menos se acalmaram, por incrível que pareça. Agora tenho pontadas estranhas, geralmente no lado esquerdo do cérebro, são rápidas (segundos), mas muito fortes. Só me assustam na hora.
Por que estou fazendo meu diagnóstico? Não sei, acho que mais uma vez estou tentando uma auto-análise, tentando saber o que realmente se passa comigo. Colocar a culpa na monografia é ridículo, seria algo muito fraco da minha parte, porque sinceramente não estou nem aí para a monografia, estou lendo e sei que vou escrever nem que seja um dia antes de entregar. Nesta semana, variando entre estados de euforia e depressão, resolvi seguir o conselho de Arnaldo Antunes “Ou desce ou dá: Decida!”, e decidi “engavetar” meu romance de cento e algumas páginas, por acreditar que uma das poucas coisas que me fazem bem no memento seria uma espécie de pedra no meu caminho para o bem- estar, pois bem, decidi. Também decidi escrever menos no blog por acreditar que ele está com muita quantidade e pouca qualidade, depois optei por não usar a internet durante a semana, porque perco tempo. E ainda, como se não bastasse, decidi SÓ ler filosofia, abandonar a literatura até o final do ano. Pois bem, depois de elaborar minha nova rotina senti que faltava algo, que eu continuava angustiada. Então qual seria o problema? Nestas horas confesso que gostaria de ter um namorado, e sabe por quê? Porque eu teria em quem descontar os problemas, parece ridículo, mas é assim que funciona, eu terminaria com ele e me sentiria renovada, comigo sempre foi assim. Como não tenho, e agradeço a Deus por isso senão o coitado pagaria todos os pecados, eu desconto meu desespero em tudo que me faz bem.
Não me falta tempo, ele sobra, eu não durmo a noite e durmo à tarde. Tenho o mesmo tempo que todo ser humano tem, só que invertido. Faz quase um mês que não mexo em meu romance, embora pense nos detalhes todos os dias, por que ele seria meu problema? Não é. O meu problema é comigo mesma, não se trata de crise existencial ou coisa do tipo, parece algo estranho e que me preocupa. Se ninguém apostasse em mim eu largaria o curso, porque aquela Universidade virou um inferno desde o início do ano passado, a diferença é que ano passado não tínhamos responsabilidades, então fingíamos estar tudo bem.
Eu só gostaria de saber porque eu sempre reclamo, reclamo, reclamo e não consigo encontrar solução nenhuma para mudar a situação. Não reclamo para os outros porque eles não merecem e não vale a pena. Meu pai diz que estou lendo muito, que preciso descansar; minha irmã acha que preciso sair; minha mãe acha que preciso dormir; minha avó coloca a culpa no Lost ou nos filmes que assisto. Meu pai não me viu chorar esse ano e minha mãe só me vê chorando. Nenhum sabe o que se passa, nem eu sei. Eles se preocupam, todos se preocupam, mas são os primeiros a me ferir, sem perceber. A culpa não é deles, é a minha alma que parece estar sem corpo para se defender e, com isso, estou mais agressiva do que nunca.
No fundo, acho que minha pressa de viver me enlouqueceu.
Eu precisava dividir, ou registrar, não sei, essas coisas. De qualquer forma, no fim das contas, não decidi, nem desci nem dei!


Laís Bastos da Silva

Comentários

Anônimo disse…
meu penúltimo post no blog foi tb um espécie de auto-análise, não tão profunda quanto a sua, mas uma maneira de fazer terapia escrevendo. Acho que temos isso em comum, sem contar a pressa em viver, a ansiedade de ver acontecer, o que acaba atrapalhando algumas vezes, mas em certo momentos até que ajuda.
Saramago tá certo, certas horas chorar é preciso, outras não chorar é que vale. Ler, ouvir, assistir, viver, tudo tá valendo. Não desista das coisas que te fazem bem, elas é que nos mantém na luta.

No mais, qq coisa, qq papo furado ou profundo, pode contar comigo, se quiser. Talvez eu seja mais confusa do que vc, mas no meio te tanta confusa a gente se encontra..rs

Beijos!

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