Corte (Resposta à Manuel Bandeira)

Eu faço versos como quem esfaqueia
O próprio medo
E incendeia
O único segredo

Como quem salta do prédio, do tédio
Gritando por dentro
Mastigando remédio
Engolindo tormento

Meu verso é agressivo e frio
Apresenta marcas
De um coração vazio
Perfurado por facas

Da dor
Da tristeza
Do amor
Da beleza

E nestes versos de expulsão
Estranha e forte
Com pouca razão
Faço versos como um corte.

(escrito em 17/01/2008)

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