Ensinar a competir: Solução?

No dia 21 de Novembro de 2007, a revista VEJA publica, em suas páginas amarelas, uma entrevista com o americano Eric Nadelstern, 57 anos, professor, membro da secretaria da educação de Nova York, intitulada: ENSINAR A COMPETIR.
O americano afirma, durante a entrevista que a escola deve funcionar como as grandes empresas, que já que os alunos desconhecem os fundamentos da Grécia Antiga quando o professor fala sobre Platão, deve-se fazer provas, como o objetivo de saber detalhe a detalhe do básico. Sustentando que a competição empurra as pessoas para frente, o professor afima que este é o melhor método para o progresso da educação, e ainda, que para o Brasil que é um país pobre, esta seria a melhor solução (isto ele repete duas ou três vezes durante a entrevista):
"Veja- De que modo o senhor acha que os prêmios em dinheiro aos melhores estudantes, como ocorre em Nova York, pode ajudar a melhorar esse cenário?
Nadelstern- [...] Os alunos gostam. Os pais adoram. Mas sindicalistas e intelectuais lunáticos reclamam. [...] Premiar é, afinal, uma maneira de jogar luz sobre um conjunto de bons hábitos que devem servir de modelo para os outros."
Mais adiante ele afirma que levar em conta a diversidade das escolas, não funciona, é preciso um "portfólio" simples e objetivo, e o Brasil se beneficiaria com isso.
A impressão que tive, ao terminar de ler, foi: "bom já que não podemos mudar a realidade, vamos inserir nossos alunos nela". Ou seja, vamos sustentar que eles devem fazer as coisas por dinheiro, por prêmios, e não por eles mesmos. Vamos segurar diretores e professores nas escolas pelos seus sálarios, vamos aplicar provas para que eles se obriguem a conhecer o básico do básico. E não, partir da realidade com o intuito de mudar,e não incentivar a criar e aprender por prazer.
Comparar a escola a uma empresa e sustentar que devemos ensinar para competir, na minha opinião, não passa de uma mediocricidade que a veja faz questão de publicar nas suas páginas amarelas, as mesmas páginas amarelas que ofereceu ao Cazuza para dar sua sentença de morte, e que estampam geralmente as mesmas "babaquices".
O americano pondera: "Devemos abandonar o idealismo". Acredito que não, acredito que educadores devem ser extremamente idealistas, sonhadores. Não dá para educar sem acreditar, não dá para mudar sem se ter um ideal, e esse ideal, não pode ser um ranking, como o da FIFA. É claro que a educação não se faz por meio de devaneios, logicamente, sonhar não basta, colocar as coisas sobre um pedestal não resolve nada.
Seriam melhores os alunos que têm as maiores notas?
Estaríamos acabando com a desigualdade dando dinheiro aos que "sabem mais"?
Um professor, escolhe ser professor pelo dinheiro?
Que espécie de pessoas vamos formar?
Aquecimento global, preconceito, fome, violência...
Coisas assim vão mudar por nós aceitarmos, pacivamente, que o Brasil é um país pobre e copiar o modelo dos Estados Unidos seria ótimo? Por incentivarmos nossos alunos a aprender para ganhar dinheiro? Por colocarmos o amor ao conhecimento no lixo?
O país que mais contribui para a degradação do ambiente, já que devemos levar em conta os rankings, o país que mais come porcaria, e ainda, que faz competição de quem come mais cachorro quente com tanta gente passando fome, sugere que sigamos seu modelo? E a Veja aprova?
"[...]E o que é que ainda estão fazendo as crianças dentrodo colégio? Já que o sol está brilhando como nunca do lado de forada sala de aula .
E há uma única pétala vermelha na haste dessa rosa que continua bela, gritando... E os ossos serão nossas sementes sob o chão
E dos ossos as novas sementes que virão[...]- Marcelo Fromer, Nando Reis E Herbert Vianna "

Comentários

deus me livre desse povo marketero....


Ensinar a competir o caralho. Escola em tempo integral desde de a primeira série, com ensino de artes, música, antropologia cultural, cultura clássica e latim, até a 8° série. Dae sim.
Unknown disse…
opa

assino embaixo

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