Crise

Você é estranha
Chega como um vulcão
E permanece, como seu resultado
Dor, vazio, insatisfação

E eu nem preciso te chamar
Seu maior prazer
É me atacar
E me fazer sofrer

Com você, não tenho vontade
De rir e nem de chorar
Entro em estado de choque
Pareço flutuar

Mas cada vez mais pesada
E com vontade de dormir, sumir
Cada vez mais marcada
E você insistindo em explodir

Minha casa já não é minha
Está virada
Parece distante, sozinha
E ainda, abandonada

Minha escrita fracassou
Adeus palavras bonitas
Explicações sobre quem sou
Desespero diante das formigas

Adeus é tudo que posso dizer
Quando não tenho nem vontade de me matar
Porque não tenho vontade de viver
Porque nada quero buscar

Meus livros fora do lugar
Minha cabeça que só esquece
A TV, que de tão alta parece gritar
A roupa que não aquece

Tudo isso e muito mais
Fazem com que eu me sinta muito menos
O mundo parece demais
E o que, na verdade, queremos?

Nos separar?
Sim! Já não te aguento
Mas você me faz pensar
Mesmo causando tormento

Minha garganta me engole
Meu sorriso sem graça
Nem um gole
Nem quarto, nem shopping , nem praça

Meu dinheiro é pouco, curto
Minhas músicas enjoam
Sim, estou a beira de um surto
Enquanto vocês voam

Perdi a vontade de ver
Sentir, ouvir, andar
De não esquecer
Perdi a vontade de melhorar

Eu já não tenho vontade
Apenas vou vivendo
Já não me preocupo com a verdade
E nem sei porque estou escrevendo!!

24/08/2007

Comentários

hummmmm

tem relação com aquela nossa conversa no sofá?

força na peruca mulher
beijão no coração

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